
Eu confesso: tenho um passado que me condena, e, cá entre nós, MUITO.
Tenho uma vergonha absurda de contar isso a alguém, mas, já que eu me doo (nova regra ortográfica, lembra?) inteira para o Tudo de Blog, vou abrir o jogo:
Eu era apaixonada pela Kelly Key. (ok, podem me matar agora)
Cantava as músicas dela direto, dançava, queria ser igual a ela, admirava-a e tal ... Hoje eu me arrependo demais disso, mas me perdoo (again!), pois só tinha uns oito ou nove anos.
O que mais me surpreende hoje, não é a questão de ter sido fãzona dela, mas o fato de ela continuar cantando e fazendo sucesso, com suas letras vulgares, melosas e vozinha irritante.
E, o pior: joguei meu antigo CD dela por aí, e minha irmãzinha de oito anos o encontrou, e não para de ouvi-lo e de cantá-lo no chuveiro.
Ok, eu mereço. Concordo que é um castigo à altura.
P.S. Quem gosta de Kelly Key, por favor, NÃO ME LEVE A MAL, eu escrevi de acordo com a minha opinião e experiência de vida.
O ano está acabando, mas ainda dá tempo de me conscientizar que não tenho mais 13 inocentes anos, entrando na oitava série e querendo abraçar o mundo com meus braçinhos curtos e cheios de garra. Que minhas amigas de tantos anos não ficarão mais tão próximas de mim, e que minha manhã não terá mais a presença tão constante delas.
Preciso me acostumar com essas idéias até o começo de 2009.
Preciso me ligar que agora sou uma menina de 14 anos, muuuito mudada, prestes a se formar no Primeiro Grau, prestes a mudar de colégio e de realidade. Mais madura, mais feliz com sua própria vida e satisfeita com o que é, pela primeira vez desde que se entende por gente.
Essa transição de 2008 para 2009 é histórica, tanto para mim como para o mundo, e eu estou curtindo demais tudo isso.
Aprendi uma porção de coisas - muitas mesmo, algumas que nem imaginava aprender -, mas para sentir que o ano está completo, preciso, além de me familiarizar com a idéia de que vou trocar de colégio, fazer um bocado de boas-ações para com os outros, distribuir sorrisos e "Felizes-Natais" por aí (nessa época mágica tudo fica mais fácil), escolher pra onde vou viajar no meu aniversário de 15 Anos e resolver se rola ou não um filhotinho (de cão!) para o Natal.
Texto para o Tudo de Blog - Capricho - Revista
"O perdão também cansa de perdoar"
Postado por Giuliana Marcadores: discursos, polêmicas, Tudo de BlogPauta para o Tudo de Blog - Revista - Perdoar tem limites?
Fui magoada e me ensinaram a perdoar. Eu perdoei. Quando viram que eu perdoava e era a bobinha da turma, não pararam mais de me magoar.
Aí eu parei. Parei de perdoar forçadamente, só porque eu achava que aquilo que era o certo. E o que faziam comigo? Era certo?
Aprendi que perdoar tem sim, limite. Não importa se é namorado, papai, mamãe, titia, irmão, amigo, avô, avó. Ninguém gosta de ser ferido. Ainda mais por vezes consecutivas.
Perdoar é diferente de desculpar. Perdoar é como se fosse tivesse esquecido aquilo para sempre. Desculpar é abaixar a cabeça e dizer que “tudo bem, não tem problema, não” e tudo parar por aí mesmo.
Eu decidi que não vou esquecer e fingir que nada aconteceu se algo realmente me machucou. Não sou capaz disso, e nem pretendo ser. Eu não sou um robô, não sou de ferro. Se alguém me provocou dor, eu vou ficar chateada, chorar e lembrar daquilo até uma dor maior a substituir.
Como disse Vinícius de Morais, “o perdão também cansa de perdoar.”
Olha a situação:
" - Olha só, maçã, a pêra é muito mais bonita e harmônica do que você. Olha a cinturinha dela..olha a corzinha dela..sente como ela é gostosa! Maçã, você precisa ser igual à pêra!"
Não dá para a maçã virar pêra. Não dá para a pêra virar maçã. Todos sabemos disso.
Mas por que nos cobramos tanto para ser iguais a tal pessoa, às modelos? Por que queremos ser iguais àqueles que dizem que são perfeitos?
Caramba, quem inventou a ditadura do Xerox? Por que devemos ser iguais à menina magra, alta, de rosto simétrico e cabelos brilhantes e perfeitos? Eu quero ser eu mesma!
Não dá para eu virar pêra. Vou ter que me arrumar com o que tenho. Tenho que valorizar minha pessoa.
A laranja também não consegue virar banana, e aí? O que ela vai fazer? Eu acho que ninguém nunca quis modificar o DNA da laranja e da maçã para que se transformassem, não? Sabem por quê?
Simples: porque tanto a laranja, a banana, a maçã e a pêra são boas. Ok, você pode não gostar delas, mas só porque você não gosta elas são ruins?
O gosto das pessoas não diz nada. Somos nós que dizemos!
Eu como salada de frutas porque o misturado que é bom...não tem graça se for tudo igual. A laranja é redondinha, a banana é massudinha e comprida, a pêra é acinturada, o mamão tem sementes, a maçã tem ombros largos, a manga tem um baita caroço...mas todas são boas do seu jeito. E elas são felizes (quanta prosopopéia!) assim. Não é porque a Mariazinha não gosta dela e por isso ela é ruim, pois o Joãozinho gosta!
O mundo é uma salada de frutas: tem fruta de todo tipo, e cada uma tem seu gostinho especial, o bom mesmo é provar cada uma delas e deixar que sejam assim, porque adoramos. Se todas fossem pêras, o que seria da salada de frutas?
Espero que minhas figuras de linguagem estejam fazendo sentido para vocês.
P.S. Se não gosta de salada de frutas, troca por sorvete napolitano, caixa de ferramentas, caldeirada, acarajé, coisa e tal. Se não gosta de nada disso, ignore meu texto.